A Via Sacra

Última actualização em 2013-05-18

 

 

Documento da Congregação para o Culto Divino e a disciplina dos Sacramentos
O Autor dos frescos: Guilherme Camarinha - breve biografia

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Texto do Directório sobre a Piedade Popular e a Liturgia
Congregação para o Culto Divino e a disciplina dos Sacramentos

131. Entre os exercícios de piedade com que os fiéis veneram a Paixão do Senhor poucos são tão amados como a Via-Sacra. Através deste exercício de piedade, os fiéis repercorrem com afecto participante o último trajecto da caminhada percorrida por Jesus durante a sua vida terrena: desde o Monte das Oliveiras, onde numa «propriedade chamada Getsérnani» (Mc 14,32), o Senhor ficou «cheio de angústia» (Lc 22, 44), até ao Monte Calvário, onde foi crucificado entre dois malfeitores (cf. Lc 23,33), ao jardim onde foi deposto num sepulcro novo, escavado na rocha (cf. /o 19,40-42).

Testemunho do amor do povo cristão por este exercício de piedade são as incontáveis vias-sacras colocadas nas igrejas, nos santuários, nos claustros e também ao ar livre, no campo ou ao longo da encosta de uma colina, a que as diversas estações conferem uma fisionomia sugestiva.

132. A Via-Sacra é a síntese de várias devoções surgidas na Idade Média: a peregrinação à Terra Santa, durante a qual os fiéis visitam devotamente os lugares da Paixão do Senhor; a devoção às «quedas de Cristo» sob o peso da cruz; a devoção aos «passos dolorosos de Cristo» que consiste em ir processionalmente de uma igreja para outra em memória dos percursos feitos por Cristo durante a sua Paixão; a devoção às «estações de Cristo», isto é, aos momentos em que Jesus pára ao longo da caminhada para o Calvário por ser obrigado pelos algozes ou por estar muito cansado ou, porque, movido pelo amor, procura dialogar com os homens e as mulheres que assistem à sua Paixão.

Na sua forma actual, já testemunhada na primeira metade do século XVII, a Via-Sacra, difundida sobretudo por São Leonardo de Porto Maurício (t 1751), aprovada pela Sé Apostólica e enriquecida com indulgências 29, consta de catorze estações.

133. A Via-Sacra é um caminho traçado pelo Espírito Santo, fogo divino que ardia no peito de Cristo (cf. Lc 12,49-50) e o impele para o Calvário; e é um caminho amado pela Igreja, que conservou memória viva das palavras e dos acontecimentos dos últimos dias do seu Esposo e Senhor.

No exercício de piedade da Via-Sacra confluem também várias expressões características da espiritualidade cristã: a concepção da vida como caminhada ou peregrinação; como passagem, através do mistério da cruz, do exílio terreno à pátria celeste; o desejo de se conformar profundamente com a Paixão de Cristo; as exigências da sequela Christi, pela qual o discípulo deve caminhar atrás do Mestre, levando diariamente a sua cruz (cf. Lc 9,23).

Por tudo isto, a Via-Sacra é um exercício de piedade particularmente adequado ao tempo de Quaresma.

134. Para uma realização frutuosa da Via-Sacra poderão ser úteis as indicações seguintes:

A forma tradicional, com as suas catorze estações, deve considerar-se a forma típica deste exercício de piedade; contudo, nalgumas ocasiões, não será de excluir a substituição de uma ou outra «estação» por outros episódios evangélicos da caminhada dolorosa de Cristo que motivem a reflexão, não considerados pela forma tradicional; em todo o caso, existem formas alternativas da Via-Sacra, aprovadas pela Sé Apostólica ou publicamente usadas pelo Romano Pontífice; devem considerar-se formas genuínas, a que se poderá recorrer conforme for oportuno; a Via-Sacra é um exercício de piedade relativo à Paixão de Cristo; contudo, convém que se termine de tal modo que os fiéis se abram à expectativa, plena de fé e de esperança, da ressurreição; a exemplo da paragem na Anastasis no termo da Via-Sacra em Jerusalém, pode concluir-se este exercício com a memória da ressurreição do Senhor.

O Pintor: Guilherme Camarinha (1912-1994)

Nasce em Vila Nova de Gaia, em 1912. Matricula-se no Curso Preparatório de Pintura da Escola de Belas Artes do Porto, em 1927. Aluno de José de Brito, Acácio Lino e Joaquim Lopes, conclui o Curso Superior de Pintura em 1939 com a apresentação da prova final de curso, Infamação de Jesus Cristo, classificada com 20 valores. Como membro do Grupo + Além – criado na Escola de Belas Artes do Porto, contra o ensino conservador e o Naturalismo - participa nas exposições de 1929 e 1931 no Salão Silva Porto. Professor Assistente na ESBAP de 1959 a 1962, participa nas Exposições Magnas da Escola durante este período. A partir de finais dos anos 40, Camarinha dedica-se, principalmente, à tapeçaria. Realiza um grande número de cartões para tapeçarias executadas pela Manufactura de Portalegre, realizadas para diversas instituições públicas. Esteve presente nas duas primeiras bienais internacionais de tapeçaria em Lausanne , na Exposição de Tapeçaria e Vidro de Estugarda, em 1966 e no Castelo de Angers, em 1981. É distinguido com o prémio Souza Cardoso do SNI, em 1936. Participa na Exposição Internacional de Paris, de 1937, com um painel para o Pavilhão de Portugal. Em 1957 obtém o 2º prémio de Pintura da I Exposição de Artes Plásticas da Fundação Calouste Gulbenkian e, em 1967, ganha o Prémio Nacional de Tapeçaria. Participa na 2ª Bienal de Arte Moderna de São Paulo em 1953. Em Janeiro de 2003, o Museu Nacional de Soares dos Reis realiza uma exposição retrospectiva da sua obra.

Mais informação:

    Museu da Escola Superior de Belas Artes do Porto

    Exposição no Museu Nacional Soares dos Reis