Ano Pastoral 2018 / 2019

Missionários da alegria do Evangelho

Tema para janeiro e fevereiro
Testemunhas da comunhão e da unidade


Certos de que, nas primeiras comunidades cristãs, encontramos um modelo para a vida em Igreja nos dias de hoje, propomos um breve percurso inspirado no relato que o Livro dos Atos dos Apóstolos nos faz sobre como viviam os primeiros cristãos (Actos 2, 42-47). A partir daqui – da nossa comunidade da Senhora da Conceição – faremos a leitura de três pequenos (mas reveladores) trechos que pontuaremos com questões que constituem um exercício de reflexão sobre a nossa vida comunitária. Esta breve reflexão que termina com uma proposta de oração pode ser feita individualmente ou em grupo.

Propomo-nos refletir sobre a nossa condição de testemunhas, sabendo que, para os cristãos, isso nunca pode significar sermos meros espectadores dos acontecimentos quotidianos: somos testemunhas porque vivemos na Fé e porque tentamos, mesmo que imperfeitamente, agir em consequência dela em todos os momentos e ações.

Quereremos ser testemunhas mais pelo que fazemos do que pelo que dizemos, porque a vivência em comunhão com Cristo e com os irmãos e o nosso agir de acordo com essa condição transformam a vida em real testemunho da presença de Deus no mundo. Se é Cristo quem nos guia, o nosso caminho nunca é feito de forma solitária, isolada ou desligada do mundo em nosso redor; é um percurso em comum e em unidade: em comunidade.

 «Os irmãos eram assíduos ao ensino dos Apóstolos, à comunhão fraterna, à fração do pão e às orações.»

A importância da assiduidade em relação à vida comunitária é o primeiro desfio que o modelo de vida dos primeiros cristãos nos lança. Este repto é reforçado, no mesmo texto, um pouco mais adiante, quando se refere que Todos os dias frequentavam o templo, como se tivessem uma só alma, e partiam o pão em suas casas. De facto, só com a nossa presença recorrente na vida quotidiana da comunidade, nos sacramentos e nos momentos alegres e tristes poderemos dar testemunho de viver «numa só alma»; depois de, no altar da Eucaristia, recebermos Cristo como alimento poderemos ir “partir o pão” em nossas casas e nos lugares por onde vamos vivendo a nossa vida, dando, através da nossa presença contínua, o testemunho de vivermos unidos e em comunhão.

Perguntemo-nos:

«Todos os que haviam abraçado a fé viviam unidos e tinham tudo em comum.»

A fé que abraçamos pelo Batismo transforma-nos em testemunhas da unidade, em membros de comunidades que caminham no sentido de ter «tudo em comum». Diz-nos ainda o Livro dos Atos dos Apóstolos que os irmãos Vendiam propriedades e bens e distribuíam o dinheiro por todos, conforme as necessidades de cada um, configurando comunidades de perfeita partilha e que adequavam os bens existentes à totalidade da comunidade.

Para além da proposta radical que nos é feita para deixarmos tudo o que possuímos, colocando os nossos bens em comum e redistribuindo-os de acordo com as necessidades de todos, podemos, daqui, discernir um “ideal” de vida comunitária: do pouco que cada um tem, muito se pode fazer. A grandeza das obras comunitárias nasce, numa imitação humana do sacrifício da Cruz, da oferta integral de cada um com as suas virtudes e defeitos.

A vida numa comunidade cristã não se faz, por isso, ignorando o estado espiritual, material, de saúde ou financeiro da comunidade ou dos nossos irmãos: constrói-se, sem ingerência e com a prudência da caridade, estando – mais do que a par do que se ouve dizer – sempre atentos e abertos para escutar, ajudar, colaborar e partilhar o nosso “pouco”.

Questionemo-nos:

 

«tomavam o alimento com alegria e simplicidade de coração, louvando a Deus e gozando da simpatia de todo o povo.»

Para nós, é inspiradora a imagem das comunidades que se alimentavam do Senhor «com alegria e simplicidade de coração» e o facto de, dessa atitude alegre e simples com que recebiam Deus na sua vida, resultar gozarem «da simpatia de todo o povo»: a sua vida era verdadeiro testemunho junto dos outros. E, a partir do testemunho simples e alegre dos primeiros cristãos, o Senhor aumentava todos os dias o número dos que deviam salvar-se. A evangelização não se se fazia só pela ação missionária dos batizados e dos discípulos, mas operava-se pela própria vida dos cristãos.

A condição dos batizados é, portanto, a de sermos também discípulos e missionários, num sentido muito mais amplo do que aquele que atribuímos habitualmente a estas duas expressões. Somos discípulos e missionários a partir do nosso próprio coração e, por consequência, somo-lo em todas as dimensões, momentos e ocasiões da nossa vida. Aos olhares que se estendam sobre a Igreja e sobre os cristãos só podemos responder com abertura e o testemunho da alegria e da simplicidade da vida de quem espera sempre no seu Senhor: aos nossos pecados, Ele responde sempre e apenas – um apenas que é tudo - com o Seu amor.

Interroguemo-nos:

 

Oração pela nossa comunhão e unidade

Senhor Deus, que enviaste Jesus como nosso Salvador
e nos fazes Teus filhos pelo Batismo,
faz-nos crescer na fé e em comunidade
participando na vida da nossa paróquia,
sendo assíduos à escuta da Palavra, à comunhão fraterna,
à oração e à Eucaristia.
Torna-nos atentos às necessidades dos irmãos e da comunidade,
usando a prudência da caridade
e permite que partilhemos todo o pouco que temos.
Faz de nós discípulos da Tua Palavra
que transportam, no dia-a-dia, a alegria e a simplicidade
de serem testemunhas da comunhão e da unidade.
A exemplo e por intercessão de Maria, nossa padroeira,
saibamos entregar as nossas vidas nas Tuas mãos.

Ámen.

Janeiro de 2019
João Pedro Frutuoso