Ano Pastoral 2006/2007

Viver em liberdade, construir o amor

Reflexão para o tempo de verão

Respostas da Caridade
 

Respostas da Caridade

“A Igreja nunca poderá ser dispensada da prática da caridade enquanto actividade organizada dos crentes, como aliás nunca haverá uma situação onde não seja precisa a caridade de cada um dos cristãos, porque o ser humano além da justiça, tem e terá sempre, necessidade de amar” - cap. 29 Deus é Amor -.

Somos filhos do amor de Deus, que nos acompanha e nos envolve no Seu Amor, em todos os momentos da nossa vida. Como administramos esse DOM? O amor nos foi dado

Qual tem sido a nossa gestão e partilha com os nossos Irmãos?

Não tentemos definir o que é o pobre. Procuremos descobrir aqueles que necessitam de nós: os pobres, os vulneráveis e talvez os ricos… as situações que cada um vive durante o dia ou durante a noite, a qualquer hora…
Não nos detenhamos na rua, no bairro, na vivenda, no prédio, na barraca ou no condomínio fechado… Vamos onde está o que de nós necessita…

Respondamos aos apelos da Igreja: A Caridade em acção leva á Evangelização. Só assim será possível ajudar a construir um mundo novo, a transformar a nossa cidade, a nossa sociedade, promover a inclusão…
Actualizemos as nossa estruturas. Procuremos transmitir o impulso original que levará a dar a resposta que a igreja e a sociedade precisam.

A nossa missão é urgente e difícil. A pobreza aumenta vertiginosamente.
Se Deus inscreveu em cada ser humano o imperativo do amor ao próximo, o cristianismo em toda a sua doutrina e muito concretamente no Evangelho, está constantemente a despertar este imperativo.

É necessário termos consciência de quanto é importante a vivencia desta atenção aos outros. Viver, é mais do que conhecer é encarnar para compreender os problemas dos outros é fazer com que a nossa vida transpareça esse dom de tal maneira que os outros acreditem no que vêm e ouvem.

Bento XVI diznos que a caridade tem um rosto, quer dizer que ela é visível e esse rosto pode e deve ser cada um de nós e por isso temos a alegria por um lado, mas também a responsabilidade de sermos sinais de Amor de Cristo.

Diz-nos S.Paulo no hino á caridade que “a Fé sem obras é morta” e sabemos também que as obras sem o alimento, sem o enriquecimento da Fé que nos amira é mera filantropia.

Temos que encontrar o equilíbrio e para isso temos que nos alimentar na Eucaristia e fazer Comunhão primeiro com Cristo e depois com os irmãos.

O amor que vivemos e partilhamos deve partir do intimo do coração, que bebe na fonte que é Cristo que sassia e molda o nosso coração de tal modo que o amor não nos seja imposto do exterior mas faça parte de nós.

Temos que procurar dar resposta a todas as necessidades e muito concretamente às necessidades imediatas. “Com competência mas principalmente com a atenção do coração” como diz Bento XVI, para actuar sempre que o irmão necessita como tão bem nos transmite a parábola do Bom Samaritano.

Há quem pense que as obras de misericórdia já não tem oportunidade. O que é preciso, dizem alguns, é dar competências, dar emprego, dar saúde, dar educação. É verdade que tudo isso é necessário, mas quando não há emprego, quando não há saúde, quando a educação não funciona, quando não há competências não podemos deixar o irmão caído na valeta e o homem e a mulher são mais do que competência, emprego, saúde, etc. As obras de misericórdia são respostas para ajudar a crescer harmoniosamente o outro na totalidade do ser pessoa. Lemos no Catecismo da Igreja Católica, nº 2447: “ As obras de misericórdia são as acções caridosas pelas quais vamos em ajuda do nosso próximo, nas suas necessidades corporais e espirituais. Instruir, aconselhar, consolar, confortar, são obras de misericórdia espirituais, como perdoar e suportar com paciência. As obras de misericórdia corporais consistem, sobretudo, em dar de comer a quem tem fome, albergar quem não tem tecto, vestir os nus, visitar os doentes e os presos, sepultar os mortos. Entre todos estes gestos, a esmola dada aos pobres é um dos principais testemunhos da caridade fraterna e também uma prática da justiça que agrada a Deus.”

Nós vemos que os homens não se entendem na família, no emprego, na sociedade, na politica, nas religiões e as vezes mesmo dentro da própria igreja. Mas há uma razão que em regra se esquece: não se compreenderão as palavras dos homens, se antes não escutarem a palavra de Deus.

Cristo ouviu a palavra do Pai e depois ensina-nos a ouvir o clamar da viúva, do órfão, do cego, dos leprosos que clamam a ajuda do Mestre.

Também os marginalizados do nosso tempo, clamam a ajuda dos discípulos de Cristo que podemos e devemos ser cada um de nós, não para fazermos milagres mas para lhes darmos a nossa atenção que passa prioritariamente pele abertura do nosso coração.

O Santo Padre Bento XVI, grande teólogo do nosso tempo, revelando um grande conhecimento do mundo actual, percebeu que o Amor é a resposta à guerra, aos conflitos familiares e sociais por isso insiste neste tema como ponto de partida para as grandes doutrinas que conduzem á justiça social, à Paz.

Por tudo que fomos reflectindo podemos concluir que a primeira resposta de caridade está em cada um de nós, e como?

Pela atenção aos outros, pela abertura do coração bem formado, pela escuta, pela preocupação, pela humildade, a simplicidade, o interesse, a esperança, o entusiasmo. Fruto do entusiasmo e empenhamento surgem outras respostas de caridade organizadas em Movimentos e Obras com carismas diferentes, não só pela forma como actuam, como pelos objectivos que pretendem atingir e as pessoas que pretendem atender com idades e problemas específicos.

Há sem dúvidas muitas respostas institucionais não só Instituições Particulares de Solidariedade Social, incluindo aqui Centros Sociais Paroquiais, que, como tal dependem das Paróquias. Existem ainda as Misericórdias que embora não muito faladas fazem uma grande cobertura das várias problemáticas sociais.

Muitas outras obras dão respostas específicas aos problemas da infância, juventude, mães solteiras, sem abrigo, terceira idade ou sós, deficientes, toxicodependentes.

Sempre que uma instituição com os seus técnicos, funcionários, direcções muitas delas constituídas por membros voluntários e todos os voluntários que nas muitas organizações de coração disponível se dedicam com caridade aos outros, é visível o rosto de Cristo.

“O Amor é possível e nós somos capazes de o praticar, porque somos criados à imagem de Deus. “Viver o amor é, deste modo fazer entrar a luz de Deus no Mundo.”