Ano Pastoral  2003 / 2004

A  Comunidade Paroquial vive da Eucaristia

Reflexão para o Tempo do Natal

Eucaristia, Deus Connosco

O VERBO FEZ-SE CARNE E HABITOU ENTRE NÓS

EMANUEL: DEUS CONNOSCO. Este nome explica o sentido da vinda de Jesus e da sua presença na história: Nele revela-se e torna-se presente o Deus misericordioso, que ajuda e salva, e o seu projecto para os homens. Em Jesus, Deus está connosco, põe-se ao nosso lado. Ele, o enviado do Pai, veio para salvar o que estava perdido.

Jesus é a Palavra de Deus, a Palavra definitiva que Deus dirige aos homens. Jesus está sempre com o Pai, está voltado para Ele, vive com Ele uma relação única e profunda. Jesus é a Palavra que se «faz carne»; tornando-se homem e colocando a sua morada no meio dos homens mortais, partilha com eles as alegrias e as angústias da existência e toma sobre si os pecados de todos. (cf. 1Pd 2,24). O Verbo, o sentido de tudo, fez carne.

A prenda deste sim à humanidade é Jesus.

À pergunta dos emissários de João Baptista, “ És Tu aquele que havia de vir, ou devemos esperar outro?”, Jesus responde: “ Ide contar a João tudo o que vistes e ouvistes: os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos ficam limpos, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e aos pobres é anunciado o Evangelho”.(Lc 7,19-23)

É que Jesus será Deus connosco, quando entrar em conversa com a samaritana, quando curar a sogra de Pedro, quando abrir os olhos dos cegos, quando convidar a dar conta de que a obra de Deus cresce, mesmo começando por uma pequena semente, quando não sentir nojo de se aproximar dos leprosos, quando tocar o coração de Zaqueu, quando se indignar diante da insensibilidade do rico que não via o pobre Lázaro à sua porta, quando lavar os pés dos seus discípulos, quando perdoar aos que o cravam na cruz, quando ao bom ladrão lhe abre as portas do Paraíso. (Cf. 29 Natal, Deus connosco de Josep Lligadas).

E não é fácil viver-se assim o Natal, fazer memória da sua chegada. Os ruídos estranhos do Natal são uma miscelânia complicada. Porque, por um lado, existe o anseio honesto da felicidade universal e de uma certa exuberância, que de bom entendimento todos exprimem mais ou menos nestes dias. Viver isso é bom, embora fique meio sepultado sob tantas contradições. Existe a voragem de gastos que, inevitavelmente, envolve toda a gente, e que tão ofensiva se torna para os pobres.(Cf. 5 Natal, Deus connosco de Josep Lligadas).

74.« No cristianismo, o tempo tem uma importância fundamental. Dentro da sua dimensão, foi criado o mundo; no seu âmbito desenrola-se a história da salvação, que tem o seu ponto culminante «na plenitude dos tempos”(Gal 4,4) da Encarnação e a sua meta no regresso glorioso do Filho de Deus no fim dos tempos. Em Jesus Cristo, Verbo encarnado, o tempo torna-se uma dimensão de Deus, que em Si mesmo é eterno”.

À luz do N.T., os anos da existência de Cristo constituem realmente o centro do tempo. Este centro tem o seu ápice na ressurreição. Com efeito, se é verdade que Ele é Deus feito homem desde o primeiro instante da concepção no seio da Virgem Santa, é verdade também que somente com a ressurreição é que a sua humanidade foi totalmente transfigurada e glorificada. ( Nº 74 Dies Domini).

Quando a comunidade se reúne e faz memória e celebra que o Filho de Deus se fez homem, este acontecimento torna-se realidade. Jesus, o Filho de Deus, o Verbo feito carne, o Deus connosco, nasce novamente entre nós. Mostra no seu rosto, o rosto de cada homem e de cada mulher do mundo, e, de uma maneira especial, os daqueles que mais vivem a sua debilidade amorosa até à morte. Jesus nasce assim para a vida dos crentes e para a vida do mundo (nº 11,A Igr. vive da Eucaristia). A incorporação em Cristo realizada pelo baptismo, renova-se e consolida-se constantemente através da participação no sacrifício eucarístico. Podemos dizer não só que cada um de nós recebe Cristo, mas também que Cristo recebe cada um de nós. (nº 22 “A Igr. vive da Eucaristia).

«Eu estarei sempre connvosco...» (Mt 28,20)

1. Na mesa da Palavra, diálogo de Deus com o seu povo. « Entregaram-lhe o livro do profeta Isaías e, ao abrir o livro, encontrou a passagem em que estava escrito: « O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu para anunciar a boa nova aos pobres; a proclamar a redenção aos cativos e a vista aos cegos, a restituir a liberdade aos oprimidos e a proclamar o ano da graça do Senhor».(...). Estavam fixos em Jesus os olhos de toda a sinagoga. Cumpriu-se hoje mesmo esta passagem da Escritura que acabais de ouvir.(Lc 4,21Entre as sagradas Escrituras e as palavras de Jesus, há uma ligação profunda, indissolúvel, revelam-me o seu rosto, o mistério da sua pessoa, o sentido da acção na história dos homens e na minha existência. Se as Escrituras me falam de Jesus Cristo, me oferecem Jesus, devo delas aprender diariamente, a fim de encontrar o Emanuel, o Deus connosco, pois quem escuta a palavra de Jesus «passa da morte à vida». (Cf178-180 “À espera da sua vinda de Franco Manenti”).

2. Na mesa da comunhão, Ele intensifica a sua amizade connosco: «Chamei-vos amigos» (Jo15,14). Nós vivemos por Ele:«O que me come viverá por mim» (Jo 6,57). Na comunhão eucarística, realiza-se de modo sublime a inabitação mútua de Cristo e do discípulo: « Permanecei em mim e Eu permanecerei em vós». (Jo 15,4). (Cf “ A Igreja Vive da Eucaristia). «Os vossos pais comeram o maná no deserto e morreram. Este é o pão que desce do Céu: Se alguém comer deste pão viverá eternamente. Eu sou o pão vivo que desci do Céu.(...)Se não comerdes a carne do Filho do homem e não beberdes o Seu sangue não tereis a vida em vós.(Jo 6,49-53).

A Igreja vive de Jesus eucarístico, por Ele é nutrida, por Ele é iluminada. A Eucaristia é mistério de fé e, ao mesmo tempo, «mistério de luz». Sempre que a Igreja celebra, de certo modo se vive a experiência dos dois discípulos de Emaús: «Abriram-se-lhes os olhos e reconheceram-nO» (Lc24,31). (nº6 “ A Igr. vive da Eucaristia”)

3. No chamamento à fraternidade. Se Deus se faz homem, se Deus se faz irmão de cada homem... Certamente, o grande chamamento do Natal é este: o chamamento à fraternidade.

Jesus não nos pede a cada um de nós que mude sózinho – ou na companhia de uns quantos amigos – o mundo inteiro – mas que, a partir desta atitude nos sintamos em comunhão, com todos os homens e mulheres. O Natal terá de ser sempre um convite a celebrar a vida que cresce, a natureza que vence a obscuridade e a morte, o sol que volta a ser mais potente. É uma festa de reencontro dos homens com o Deus menino.

a. Estar atentos, porque nos podemos esquecer com facilidade do seu chamamento e da sua presença. Há demasiadas coisa que nos convidam a olhar e a confiar em nós mesmos (sem mim,nada podeis fazer). (Jo 15,5).

b. Amabilidade diária, pois parece estarmos num mundo onde a hostilidade mútua, a dureza, o convencimento de que o outro é um inimigo. Deus quer a capacidade de descobrir nos outros coisa boas; capacidade de limar tensões, mais que favorecê-las.

c. O uso do dinheiro, do tempo, das próprias capacidades, é um sinal básico de fraternidade: pôr o que temos ao serviço dos outros.

d. A família, como primeiro espaço onde se deve recriar a vida e o amor e, por isso, deverá ser constantemente cuidado, cultivado, recriado, com vontade e imaginação.

e. Vida associativa, accção política. Capacidade de criar laços entre as pessoas. Criar e saber estar em grupo: associações, actividades cívicas. Tudo quanto torne possível uma vida mais intensa de vizinhos, de bairro, de cidade, tudo o que construa vida colectiva, sendo, a acção política, um meio pelo qual se atende a tudo o que afecta a vida colectiva. « uma alta forma de caridade», (Papa Paulo VI).

f. A quota de incomodidade pelos grupos marginais, repto importante da fraternidade, hoje, pois como aceitar no mesmo prédio ou andar um doente da sida; na mesma povoação um centro de cura de tóxicodependência; crianças ciganas na mesma escola dos meus filhos; entrada de imigrantes vindos de culturas e hábitos tão diferentes.Renunciar a coisas pelo Reino, não será renunciar a parte da nossa comodidade pelo bem dos outros?

g. O trabalho ecológico, mais que uma mania ou tontice, tem a ver com a não destruição do planeta em favor dum pseudo desenvolvimento ou modernidade que leva, isso sim, ao consumisno e ao despesismo. (Cf. 56-65 Natal, Deus connosco de Josep Lligadas).O projecto de Deus, é de que haja vida e vida para todos os homens.

“ Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância) ( Jo 10,10).

 

Compromisso para o Tempo do Natal

Que seja a Eucaristia a guiar-me na Palavra, a saciar-me na Comunhão, a enviar-me para a vida.

 

Oração:

Senhor Jesus,
não sou rei a oferecer presentes...
Desejo apenas ser voz que cante a Tua voz;
deixar-me queimar para alumiar;
e nada temer, porque sempre estás comigo.

Cântico:

Canta, Povo de Sião, Jerusalém exulta de alegria.
Eis que é chegado o vosso Rei, o Santo, o Salvador do mundo.
Eis que é chegado o vosso Rei, o Santo, o Salvador do mundo.

 

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