Ano Pastoral  2003 / 2004

A  Comunidade Paroquial vive da Eucaristia

Reflexão para o Advento

Eucaristia, Alimento da Nova Criação

Seguir Cristo não é uma imitação exterior, já que atinge o homem na sua profunda interioridade. Ser discípulo de Jesus significa tornar-se conforme a Ele, que Se fez servo até ao dom de Si sobre a cruz. Pela fé, Cristo habita no coração do crente, e assim o discípulo é assimilado ao seu Senhor e configurado com Ele. Isto é fruto da graça, da presença operante do Espírito Santo em nós. Inserido em Cristo, o cristão torna-se membro do Seu Corpo, que é a Igreja. Sob o influxo do Espírito, o Baptismo configura radicalmente o fiel a Cristo no mistério pascal da morte e ressurreição, “reveste-o” de Cristo: “Alegremo-nos e agradeçamos - exclama S. Agostinho dirigindo-se aos baptizados -  tornamo-nos não apenas cristãos, mas Cristo (...). Maravilhai-vos e regozijai: tornamo-nos Cristo!”. Morto para o pecado, o baptizado recebe a vida nova: vivendo para Deus em Jesus Cristo, é chamado a caminhar segundo o Espírito e a manifestar na vida os seus frutos. Depois a participação na Eucaristia, sacramento da Nova Aliança, é o ápice da assimilação a Cristo, fonte de “vida eterna”, princípio e força do dom total de si mesmo, que Jesus - segundo o testemunho transmitido por S. Paulo - manda rememorar na celebração e na vida: “Sempre que comerdes este pão e beberdes este cálice, anunciais a morte do Senhor até que Ele venha”. (1 Cor 11, 26). (n.º 21)
(...) Com efeito, ao participar no sacrifício da Cruz, o cristão comunga do amor de doação de Cristo, ficando habilitado e comprometido a viver esta mesma caridade em todas as suas atitudes e comportamentos de vida. (n.º 107)

 Encíclica “Veritatis splendor”,
sobre o Ensinamento Moral da Igreja. 06/08/1993.

 

De certo modo, Maria praticou a sua fé eucarística ainda antes de ser instituída a Eucaristia, quando ofereceu o seu ventre virginal para a encarnação do Verbo de Deus. A Eucaristia, ao mesmo tempo que evoca a paixão e a ressurreição, coloca-se no prolongamento da encarnação. E Maria, na anunciação, concebeu o Filho divino também na realidade física do corpo e do sangue, em certa medida antecipando n'Ela o que se realiza sacramentalmente em cada crente quando recebe, no sinal do pão e do vinho, o corpo e o sangue do Senhor.

Existe, pois, uma profunda analogia entre o fiat pronunciado por Maria, em resposta às palavras do Anjo, e o amen que cada fiel pronuncia quando recebe o corpo do Senhor. A Maria foi-Lhe pedido para acreditar que Aquele que Ela concebia “por obra do Espírito Santo” era o “Filho de Deus”. Dando continuidade à fé da Virgem Santa, no mistério eucarístico é-nos pedido para crer que aquele mesmo Jesus, Filho de Deus e Filho de Maria, Se torna presente nos sinais do pão e do vinho com todo o seu ser humano-divino.

“Feliz d'Aquela que acreditou” (Lc. 1, 45): Maria antecipou também, no mistério da encarnação, a fé eucarística da Igreja. E, na visitação, quando leva no seu ventre o Verbo encarnado, de certo modo Ela serve de “sacrário” - o primeiro “sacrário” da história -, para o Filho de Deus, que, ainda invisível aos olhos dos homens, Se presta à adoração de Isabel, como que “irradiando” a sua luz através dos olhos e da voz de Maria. E o olhar extasiado de Maria, quando contemplava o rosto de Cristo recém-nascido e O estreitava nos seus braços, não é porventura o modelo inatingível de amor a que se devem inspirar todas as nossas comunhões eucarísticas? (n.º 55)

 Na Eucaristia, a Igreja une-se plenamente a Cristo e ao seu sacrifício, com o mesmo espírito de Maria. Tal verdade pode-se aprofundar relendo o Magnificat em perspectiva eucarística. De facto, como o cântico de Maria, também a Eucaristia é primariamente louvor e acção de graças. Quando exclama: “A minha alma glorifica ao Senhor e o meu espírito exulta de alegria em Deus meu Salvador”, Maria traz no seu ventre Jesus. Louva o Pai “por” Jesus, mas louva-O também “em” Jesus e “com” Jesus. É nisto precisamente que consiste a verdadeira “atitude eucarística”.

Ao mesmo tempo Maria recorda as maravilhas operadas por Deus ao longo da história da salvação, segundo a promessa feita aos nossos pais (cf. Lc 1, 55), anunciando a maravilha mais sublime de todas: a encarnação redentora. Enfim, no Magnificat está presente a tensão escatológica da Eucaristia. Cada vez que o Filho de Deus Se torna presente entre nós na “pobreza” dos sinais sacramentais, pão e vinho, é lançado no mundo o germe daquela história nova, que verá os poderosos “derrubados dos seus tronos” e “exaltados os humildes” (cf. Lc 1, 52). Maria canta aquele “novo céu” e aquela “nova terra”, cuja antecipação e em certa medida a “síntese” programática se encontram na Eucaristia. Se o Magnificat exprime a espiritualidade de Maria, nada melhor do que esta espiritualidade nos pode ajudar a viver o mistério eucarístico. Recebemos o dom da Eucaristia, para que a nossa vida, à semelhança da de Maria, seja toda ela um magnificat! (n.º 58)

 Carta Encíclica “Ecclesia de Eucharistia”,
sobre a Eucaristia na sua relação com a Igreja, 17/14/2003

 

O domingo, segundo a experiência cristã, é sobretudo uma festa pascal, totalmente iluminada pela glória de Cristo ressuscitado. É a celebração da “nova criação”. Este seu carácter, porém, se bem entendido, é inseparável da mensagem que a Escritura, desde as suas primeiras páginas, nos oferece acerca do desígnio de Deus na criação do mundo. Com efeito, se é verdade que o Verbo Se fez carne na “plenitude dos tempos” (Gal 4,4), também é certo que, em virtude precisamente do seu mistério de Filho eterno do Pai, Ele é origem e fim do universo. (...) Esta presença activa do Filho na obra criadora de Deus revelou-se plenamente no mistério pascal, no qual Cristo, ressuscitando como “primícia dos que morreram” (1 Cor 15,20), inaugurou a nova criação e deu início ao processo que Ele mesmo levará a cabo no momento do seu retorno glorioso, « quando entregar o Reino a Deus Pai [...], a fim de que Deus seja tudo em todos » (1 Cor 15,24.28). (n.º 8)

 Deste ponto de vista, se o domingo é o dia da fé, é igualmente o dia da esperança cristã. De facto, a participação na “ceia do Senhor” é antecipação do banquete escatológico das “núpcias do Cordeiro” (Ap 19,9). A comunidade cristã, ao celebrar o memorial de Cristo, ressuscitado e elevado ao céu, revigora a sua esperança na “vinda gloriosa de Jesus Cristo nosso Salvador”. A esperança cristã, vivida e alimentada com este intenso ritmo semanal, torna-se fermento e luz precisamente da esperança humana. Por isso, na oração “universal”, enumeram-se juntamente as necessidades não só daquela comunidade cristã, mas da humanidade inteira; a Igreja, reunida na Celebração eucarística, testemunha ao mundo que assume “as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem”. E, coroando com a oferta eucarística do domingo o testemunho que, todos os dias da semana, os seus filhos, empenhados no trabalho e nos vários compromissos da vida, se esforçam por oferecer com o anúncio do Evangelho e a prática da caridade, a Igreja manifesta com maior evidência ser “sacramento, ou sinal, e instrumento da íntima união com Deus e da unidade de todo o género humano”. (n.º 38)

 Instituído para amparo da vida cristã, o domingo adquire naturalmente também um valor de testemunho e anúncio. Dia de oração, de comunhão, de alegria, ele repercute-se sobre a sociedade, irradiando sobre ela energias de vida e motivos de esperança. O domingo é o anúncio de que o tempo, habitado por Aquele que é o Ressuscitado e o Senhor da história, não é o túmulo das nossas ilusões, mas o berço dum futuro sempre novo, a oportunidade que nos é dada de transformar os momentos fugazes desta vida em sementes de eternidade. O domingo é convite a olhar para diante, é o dia em que a comunidade cristã eleva para Cristo o seu grito: “Maranatha: Vinde, Senhor!” (1 Cor 16,22). Com este grito de esperança e expectativa, ela faz-se companheira e sustentáculo da esperança dos homens. E domingo a domingo, iluminada por Cristo, caminha para o domingo sem fim da Jerusalém celeste, quando estiver completa em todas as suas feições a mística Cidade de Deus, que “não necessita de Sol nem de Lua para a iluminar, porque é iluminada pela glória de Deus, e a sua luz é o Cordeiro” (Ap 21,23). (n.º 84)

 Carta Apostólica “Dies Domini”,
sobre a santificação do Domingo, 31/05/1998

 

Compromisso para o tempo do Advento

Melhor preparação e atenção às Leituras da Eucaristia
para que a novidade do Deus que vem até nós
seja acolhida na humildade do coração
e na lucidez da inteligência.

Oração

Senhor Jesus,
que pela Palavra e pelo Pão da Eucaristia vindes até nós,
humildemente Vos pedimos que pela participação
neste banquete sagrado se recrie a nossa vida,
enquanto esperamos a Vossa Vinda gloriosa.
Vós que sois Deus com o Pai na unidade do Espírito Santo

Cântico

Preparai o caminho do Senhor. MARANATHA ! MARANATHA !
P
reparai o caminho do Senhor. MARANATHA ! MARANATHA !
Vão chegar os dias do Reino. MARANATHA ! MARANATHA !
VEM, SENHOR JESUS. MARANATHA ! MARANATHA !

Vai chegar o Messias prometido. MARANATHA ! MARANATHA !
Aplanai as veredas e caminhos, MARANATHA ! MARANATHA !
O seu nome será Deus connosco. MARANATHA ! MARANATHA !
VEM, SENHOR JESUS. MARANATHA ! MARANATHA !

Anterior Acima Seguinte