Ano Pastoral  2003 / 2004

A  Comunidade Paroquial vive da Eucaristia

Reflexão para o Tempo Pascal

Da Eucaristia à Missão

 

“A Igreja vive da Eucaristia. Esta verdade não exprime apenas uma experiência diária de fé, mas contém em síntese o próprio núcleo do mistério da Igreja” (João Paulo II, Carta encíclica, A Igreja Vive da Eucaristia, Ed Paulinas, Lisboa, 2003). “A eucaristia é fonte e centro de toda a vida cristã” (Concílio Ecuménico Vaticano II, Constituição dogmática sobre a Igreja, Lumen Gentium, 11, 1964). Dela o povo de Deus, os cristãos, recebe a missão de “ser o sal da terra e a luz do mundo” (Mt 5, 13-16).

A Eucaristia, é o ponto de chegada das nossas vidas, dos nossos dias, das nossas dúvidas, medos, fracassos, êxitos, alegrias. Mas é também ponto de partida para a cidade. Apesar das nossas fragilidades, a comunhão transmite-nos forças de uma vida nova, para nós e para os que connosco convivem. Procurar, cultivar, viver “os frutos do espírito: amor, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, auto domínio” (Gl 5, 22). “A Liturgia, pela qual, especialmente no sacrifício eucarístico, se opera o fruto da nossa Redenção, contribui em sumo grau para que os cristãos exprimam na vida, e manifestem aos outros, o mistério de Cristo e a autêntica natureza da verdadeira Igreja.” (Concílio Ecuménico Vaticano II, Constituição sobre a Sagrada Liturgia, Sacrosanctum Concilium, 2, 1962).

“Recebendo o Pão da vida, os discípulos de Cristo preparam-se para enfrentar, com a força do Ressuscitado e do seu Espírito, as obrigações que os esperam na sua vida ordinária. Com efeito, para o fiel que compreendeu o sentido daquilo que realizou, a Celebração Eucarística não pode exaurir-se no interior do templo. Como as primeiras testemunhas da ressurreição, também os cristãos, convocados cada domingo para viver e confessar a presença do Ressuscitado, são chamados, na sua vida quotidiana, a tornarem-se evangelizadores e testemunhas. A oração depois-da-comunhão e o rito de conclusão — a bênção e a despedida — hão-de ser, sob este aspecto, melhor entendidos e valorizados, para que todos os participantes na Eucaristia sintam mais profundamente a responsabilidade que daí lhes advém. Terminada a assembleia, o discípulo de Cristo volta ao seu ambiente quotidiano, com o compromisso de fazer, de toda a sua vida, um dom, um sacrifício espiritual agradável a Deus (cf. Rom 12,1). Ele sente-se devedor para com os irmãos daquilo que recebeu na celebração, tal como sucedeu com os discípulos de Emaús que, depois de terem reconhecido Cristo ressuscitado na «fracção do pão » (cf. Lc 24,30-32), sentiram a exigência de ir imediatamente partilhar com seus irmãos a alegria de terem encontrado o Senhor (cf. Lc 24,33-35).” ( O Dia do Senhor, nº 45 )

“Não se pode esquecer que o « culto espiritual agradável a Deus » (cf. Rm 12, 1) realiza-se sobretudo na existência quotidiana, vivida na caridade através do dom livre e generoso de si mesmo, inclusive em momentos de aparente impotência. Assim, a vida é animada por uma esperança inabalável, porque assente apenas na certeza do poder de Deus e da vitória de Cristo: é uma vida repleta das consolações de Deus, com as quais somos chamados, por nossa vez, a consolar aqueles que encontrarmos no nosso caminho (cf. 2 Cor 1, 4).” ( A Igreja na Europa, nº 80 )

“Os cristãos, lembrados da palavra do Senhor, nisto reconhecerão todos que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros, (Jo 13, 35), não podem desejar outra coisa mais ardentemente do que servir sempre com maior generosidade e eficácia os homens do mundo de hoje. ” (Concílio Ecuménico Vaticano II, Constituição pastoral, a Igreja no mundo de hoje, Gaudium et Spes, 93, 1964).

Os homens, reunidos em Igreja, procuram e ambicionam a felicidade, a perfeição, a santidade. De facto, todos na Igreja são chamados à santidade, segundo a palavra do apóstolo: “Esta é a vontade de Deus, a vossa santificação” (1 Tess 4,3; Ef 1,4). “Esta santidade da Igreja manifesta-se incessantemente e deve manifestar-se nos frutos da graça que o Espírito Santo produz nos fiéis. Exprime-se de muitas maneiras em cada um daqueles que tendem à perfeição na caridade para edificação do próximo; aparece de um modo especial na prática dos conselhos chamados evangélicos; a prática destes conselhos, abraçada sob a influência do Espírito Santo, por muitos cristãos, quer privadamente, quer nas condições ou estados aprovados pela Igreja, leva e deve levar ao mundo, um admirável testemunho e exemplo desta santidade.” (Concílio Ecuménico Vaticano II, Constituição dogmática sobre a Igreja, Lumen Gentium, 39, 1964).

Mas quais são os caminhos, os trabalhos desses testemunhos, dessa santificação? São vários, mas a vivência, o exercício da caridade, é uma exigência cuja omissão seria “negar três vezes”.

A Comissão Nacional Justiça e Paz (CNJP) produziu recentemente um documento, uma reflexão em que refere “o reconhecimento de que os cristãos pouco confrontam as suas atitudes e comportamentos na sociedade (trabalho, negócios, ensino e investigação, participação cívica e política) com as exigências que decorrem da sua fé em Jesus Cristo. Sucede, assim, que os valores humanos e cristãos interferem pouco ou nada nas suas respectivas práticas de vida. Ora, há cristãos em todos os sectores da vida económica, social e política – gestores e quadros técnicos de empresa, banqueiros, educadores e professores, políticos, deputados, governantes, juízes, detentores de cargos públicos – sem que se observem sinais que testemunhem as suas referências cristãs. Por outro lado, temos de reconhecer que, em muitas das nossas comunidades e assembleias, paira uma muralha de silêncio sobre estas problemáticas e são muito ténues as interpelações dirigidas ao compromisso dos cristãos com os valores evangélicos quando está em causa a sua aplicação na transformação das sociedades a que pertencem, em ordem à construção da justiça e da paz.

Na mesma reflexão da CNJP é nos dito que ser “luz”, “sal” ou “fermento”, hoje, é estar na primeira linha de quem defende e promove direitos fundamentais: a dignidade e o valor de toda a pessoa humana, de cada mulher e de cada homem, da criança, do jovem, do adulto ou da pessoa idosa; o direito de cada pessoa encontrar na sociedade a que pertence condições para uma vida digna, nomeadamente o direito ao trabalho com garantias e sua justa remuneração, mas também o acesso a uma habitação condigna, à saúde, à educação, à segurança; o direito à liberdade de palavra e de expressão, de deslocação, de associação e de participação cívica e política, tanto no próprio país como à escala mundial.

Na Eucaristia sentimos a comunhão de Jesus Cristo connosco. Da Eucaristia somos enviados em missão, para ser luz, sal, fermento, onde quer que estejamos, sempre.

Nunca como hoje, onde estamos, onde vivemos, as nossas famílias, as nossas relações, os nossos locais de trabalho, a sociedade de que fazemos parte esteve tão carente da nossa missão.

Oração

Senhor

fazei de mim um instrumento da Vossa Paz.

Onde houver ódio, que eu leve o amor.

Onde houver ofensa, que eu leve o perdão.

Onde houver discórdia, que eu leve a união.

Onde houver dúvida que eu leve a fé.

Onde houver erro, que eu leve a verdade.

Onde houver desespero, que eu leve a esperança.

Onde houver tristeza, que eu leve a alegria.

Onde houver trevas que eu leve a luz.

Senhor

Fazei que eu procure mais:

consolar que ser consolado,

compreender que ser compreendido,

amar que ser amado.

Pois é dando que se recebe,

é perdoando que se é perdoado,

e é morrendo que se ressuscita para a vida eterna.

Compromisso

Fortalecido pela Eucaristia,
na comunhão da Assembleia
e na comunhão da Palavra e do Corpo e Sangue de Cristo,
partir para a vida com energia,
renovando no amor e com o amor de Cristo
todas as realidades da vida familiar, social, politica, cultural, desportiva, laboral…

Cântico

Ide por todo o mundo anunciai o Evangelho.

Ide por todo o mundo anunciai o Evangelho.

Amém. Amém. Amém. Amém.

Última modificação em 16-10-2004

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