Ano Pastoral  2003 / 2004

A  Comunidade Paroquial vive da Eucaristia

Reflexão para a Quaresma

A Eucaristia, fonte de santidade

“Em virtude da sua íntima relação com o sacrifício do Gólgota, a Eucaristia é sacrifício em sentido próprio , e não apenas em sentido genérico como se se tratasse simplesmente da oferta de Cristo aos fiéis para seu alimento espiritual . Com efeito , o dom do seu amor e da sua obediência até ao extremo de dar a vida (cf. Jo 10, 17-18) é, em primeiro lugar, um dom a seu Pai . Certamente é um dom em nosso favor, antes, em favor de toda a humanidade (cf .Mt 26 ,28; Mc 14 , 24 ;Lc 24 ; Lc 22;Jo 10 , 15), primariamente um dom ao Pai: «Sacrifício que o Pai aceitou , retribuindo esta doação total de seu Filho, que se fez «obediente até á morte» (FI 2 , 8), com a sua doação paterna, ou seja, como dom da nova vida imortal na ressurreição».

Ao entregar à Igreja o seu sacrifício, Cristo quis assumir o sacrifício espiritual da Igreja, chamada por sua vez a oferecer-se a si própria juntamente com o sacrifício de Cristo. Assim no-lo ensina o Concílio Vaticano II: «Pela participação no sacrifício eucarístico de Cristo , fonte e centro de toda a vida cristã, (os fiéis) oferecem a Deus a vítima divina e a eles mesmos juntamente com ela».

(A Igreja Vive da Eucaristia – Carta Encíclica de João Paulo II)

“A reprodução sacramental na Santa Missa do sacrifício de Cristo coroado pela sua ressurreição implica uma presença muito especial, que - para usar palavras de Paulo VII - «chama-se “real”, não a título exclusivo como se as outras presenças não fossem ”reais”, mas por excelência, porque é substancial, e porque por ela se torna presente Cristo completo, Deus e homem». Reafirma-se assim a doutrina sempre válida do Concílio de Trento: «Pela consagração do pão e do vinho opera-se a conversão de toda a substância do pão na substância do Corpo de Cristo nosso Senhor, e de toda a substância do vinho na substância do seu Sangue; a esta mudança , a igreja católica chama , de modo conveniente e apropriado, transubstanciação». Verdadeiramente, a Eucaristia é mysterium fidei, mistério que supera os nossos pensamentos e só pode ser aceite pela fé, como lembram frequentemente as catequeses patrísticas sobre este sacramento divino. «Não hás-de ver – exorta S. Cirilo de Jerusalém- o pão e o vinho (consagrados) simplesmente como elementos naturais, porque o Senhor disse expressamente que são o seu Corpo e o seu Sangue: a fé to assegura , ainda que os sentidos possam sugerir-te outra coisa».

«Adoro te devote , latens Deitas»: continuaremos a cantar com S. Tomás, o Doutor Angélico. Diante deste mistério de amor , a razão humana experimenta toda a sua limitação. Compreende-se como, ao longo dos séculos, esta verdade tenha estimulado a teologia a árduos esforços de compreensão.

São esforços louváveis, tanto mais úteis e incisivos se capazes de conjugarem o exercício crítico do pensamento com a «vida de fé» da Igreja, individuada especialmente «no carisma da verdade» do Magistério e na «íntima inteligência que experimentam das coisas espirituais», sobretudo os Santos. Permanece o limite apontado por Paulo VI: «Toda a explicação teológica que queira penetrar de algum modo neste mistério para estar de acordo com a fé católica deve assegurar que na sua realidade objectiva, independentemente do nosso entendimento, o pão e o vinho deixaram de existir depois da consagração, de modo que a partir desse momento são o Corpo e o Sangue adoráveis do Senhor Jesus que estão realmente presentes diante de nós sob as espécies sacramentais do pão e do vinho».

(A Igreja Vive da Eucaristia – Carta Encíclica de João Paulo II)

“A tensão escatológica suscitada pela Eucaristia exprime e consolida a comunhão com a Igreja celeste. Não é por acaso que, nas Anáforas orientais e nas

Orações Eucarísticas latinas, se lembra com veneração Maria sempre Virgem, Mãe do nosso Deus e Senhor Jesus Cristo, os anjos, os santos Apóstolos, os gloriosos mártires e todos os santos. Trata-se dum aspecto da Eucaristia que merece ser assinalado: ao celebrarmos o sacrifício do Cordeiro unimo-nos à liturgia celeste, associando-nos àquela multidão imensa que grita : «A salvação pertence ao nosso Deus, que está sentado no trono, e ao Cordeiro»(Ap7,10).A Eucaristia é verdadeiramente um pedaço de céu que se abre sobre a terra; é um raio de glória da Jerusalém celeste, que atravessa as nuvens da nossa história e vem iluminar o nosso caminho.”

(A Igreja Vive da Eucaristia – Carta Encíclica de João Paulo II)

“É significativo que, no lugar onde os Sinópticos narram a instituição da Eucaristia, o evangelho de João proponha, ilustrando assim o seu profundo significado, a narração do «lava –pés», gesto este que faz Jesus mestre de comunhão e de serviço (cf.Jo 13,1-20). O apóstolo Paulo, por sua vez, qualifica como «indigna» duma comunidade cristã a participação na Ceia do Senhor, que se verifique num contexto de discórdia e de indiferença pelos pobres(cf.1 Cor 11,17-22.27-34).

«Queres honrar o Corpo de Cristo ? Não permitas que seja desprezado nos seus membros, isto é, nos pobres que não têm que vestir, nem o honres aqui no templo com vestes de seda, enquanto lá fora o abandonas ao frio e à nudez. Aquele que disse «Isto é o meu Corpo», (...) também afirmou :«Vistes-me com fome e não me destes de comer», e ainda:«Na medida em que recusastes a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim o recusastes.(...) De que serviria, afinal , adornar a mesa de Cristo com vasos de ouro, se Ele morre de fome na pessoa dos pobres ? Primeiro dá de comer a quem tem fome, e depois ornamenta a sua mesa com o que sobra»:S. João Crisóstomo, Homilias sobre o Evangelho de Mateus, 50, 3-4”

“O culto prestado à Eucaristia fora da missa é de um valor inestimável na vida da Igreja, e está ligado intimamente com a celebração do sacrifício eucarístico. A presença de Cristo nas hóstias consagradas que se conservam após a missa - presença essa que perdura enquanto subsistirem as espécies do pão e do vinho - resulta da celebração da Eucaristia e destina-se à comunhão, sacramental e espiritual. Compete aos pastores, inclusive pelo testemunho pessoal, estimular o culto eucarístico, de modo particular as exposições do Santíssimo Sacramento e também as visitas de adoração a Cristo presente sob as espécies eucarísticas. É bom demorar-se com Ele e, inclinado sobre o seu peito como o discípulo predilecto, deixar-se tocar pelo amor infinito do seu coração. Se actualmente o Cristianismo se deve caracterizar sobretudo pela «arte da oração», como não sentir de novo a necessidade de permanecer longamente em diálogo espiritual, adoração silenciosa, atitude de amor diante de Cristo presente no Santíssimo Sacramento? Quantas vezes meus queridos irmãos e irmãs, fiz esta experiência, recebendo dela força, consolação, apoio!

Desta prática, muitas vezes louvada e recomendada pelo Magistério, deram-nos o exemplo numerosos Santos.”

(A Igreja Vive da Eucaristia – Carta Encíclica de João Paulo II)

“Enquanto durar a sua peregrinação aqui na terra, a Igreja é chamada a conservar e promover tanto a comunhão com a Trindade Divina como a comunhão entre os fiéis. Para isso possui a Palavra e os Sacramentos, sobretudo a Eucaristia: desta «vive e cresce», e ao mesmo tempo exprime-se nela. Não foi sem razão que o termo comunhão se tornou um dos nomes mais específicos deste sacramento excelso.

Daí que a eucaristia se apresente como o sacramento culminante para levar à perfeição a comunhão com Deus Pai, através da identificação com seu Filho Unigénito por obra do Espírito Santo. Com grande intuição de fé, um insigne escritor de tradição bizantina assim exprimia esta verdade: na Eucaristia, «mais do que em qualquer outro sacramento, o mistério da comunhão é tão perfeito que conduz ao apogeu de todos os bens: nela está o termo último de todo o desejo humano, porque nela alcançamos Deus e Deus une-se connosco pela união mais perfeita. Por isso mesmo, é conveniente cultivar continuamente na alma o desejo do sacramento da Eucaristia.”

(A Igreja Vive da Eucaristia – Carta Encíclica de João Paulo II)

Compromisso

No centro da vida humana está um esforço de regresso a Deus, no seio do qual todas as perguntas encontram resposta e o coração humano paira acima das incertezas, das ansiedades, das angústias...

Caminhar para Deus, mais do que um movimento, é uma abertura ao sobrenatural, ao transcendente, ao maravilhoso em nossas vidas.

Essa abertura dá-se pela fé, alimentada pela Palavra, pelos Sacramentos e pela obediência aos Sagrados Mandamentos de Deus.

Nesta Quaresma procuremos abrir-nos mais profundamente a Deus, através de uma relação mais sincera com Ele, de uma melhor vivência dos Sacramentos e de uma maior conformação com a vontade de Deus, dizendo com o Padre Cruz “Quem quer aquilo que Deus quer, tem sempre aquilo que quer”.

Oração

Viver em santidade é o maior dos meus anseios;
À Comunhão minha alma aspira;
Contudo, Como criança que sou,
Perco-me, distraio-me, divago...

Como criatura que nada é, para o nada tendo, duvido, renego...

Por isso, Pai, vos peço:

Concedei-me
o discernimento das coisas espirituais para que me não perca nas encruzilhadas do caminho,
constância para que me não distraia nem divague,
fé para que não duvide

coragem para que não renegue,

um espírito nobre para amar a Luz

vontade para querer

Amor para dar.

Cântico

Das fontes da salvação

saciai-vos n’ alegria,

saciai-vos n’ alegria

 

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